O Início de Uma Nova História na UFCG

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

Após quatro anos de incertezas e uma gestão imposta pelo governo Bolsonaro, a UFCG volta a ter sua autonomia respeitada. Nesta sexta-feira (28), o Conselho Universitário oficializará a posse do reitor Camilo Farias e da vice-reitora Fernanda Leal, marcando o início de um novo ciclo para a instituição.

Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) está prestes a viver um dos momentos mais significativos de sua história recente. Após quatro anos marcados por desafios institucionais, questionamentos sobre a autonomia universitária e uma administração imposta pelo governo federal anterior, a comunidade acadêmica finalmente retoma o direito de ter sua vontade respeitada.

No dia 28 de março de 2025, a UFCG oficializará a posse do professor Camilo Farias como reitor e da professora Fernanda Leal como vice-reitora para o quadriênio 2025-2028. Esse evento representa não apenas uma mudança de gestão, mas a reafirmação dos valores democráticos dentro da instituição, que desde sua fundação sempre prezou pela autonomia e pelo compromisso com a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão. O evento será trasmitido pelo canal da UFCG virtual e TV UFCG

Mas para compreendermos a importância desse momento, é essencial relembrar os desafios enfrentados pela universidade nos últimos anos e como a comunidade acadêmica conseguiu superar esse período para, agora, dar início a uma nova história.


Quatro Anos de Incertezas: A Intervenção na UFCG

O cenário que antecedeu essa mudança de gestão foi um dos mais conturbados da história da UFCG. Em 2020, ao final do mandato do então reitor Vicemário Simões, a comunidade acadêmica realizou o processo democrático de escolha da nova reitoria, como de praxe. Na ocasião, a eleição indicou a vitória da chapa composta por Vicemário Simões e Camilo Farias.

Entretanto, contrariando a vontade expressa da comunidade universitária, o então presidente Jair Bolsonaro optou por nomear um reitor que não havia sido o escolhido pela maioria da instituição. Essa decisão seguiu um padrão que se repetiu em diversas universidades federais brasileiras durante aquele período, colocando em xeque a autonomia universitária e gerando grande insegurança dentro das instituições.

Foram quatro anos difíceis, nos quais a UFCG enfrentou obstáculos administrativos, cortes orçamentários e um ambiente de insegurança institucional. A imposição de uma gestão que não representava a escolha legítima da comunidade acadêmica trouxe questionamentos sobre a condução das políticas universitárias, além de gerar um distanciamento entre a administração central e os anseios da base universitária.

A falta de sintonia entre gestão e comunidade acadêmica gerou impactos tanto no clima institucional quanto no desenvolvimento de projetos estratégicos para a universidade. Além disso, a UFCG enfrentou desafios comuns a outras instituições federais, como redução de investimentos na educação, cortes de bolsas e dificuldades na captação de recursos.

Diante desse cenário, a luta pela autonomia universitária tornou-se ainda mais urgente e necessária. A esperança por uma mudança ganhou força nas eleições universitárias de 2024, quando a comunidade acadêmica novamente foi às urnas para decidir seu futuro.


A Vitória da Comunidade: Democracia e Autonomia Retomadas

No final de 2024, a UFCG viveu um momento de grande mobilização e engajamento em torno do processo eleitoral para a reitoria. A comunidade acadêmica, mais uma vez, demonstrou sua força e seu compromisso com a universidade pública, elegendo a Chapa 3 – Camilo Farias e Fernanda Leal para conduzir a instituição no período 2025-2028.

A vitória dessa chapa não foi apenas um resultado eleitoral, mas uma demonstração clara de que a comunidade universitária desejava retomar os princípios da gestão democrática e participativa. A decisão tomada nas urnas representou um desejo coletivo de superar os desafios dos últimos anos e reconstruir a universidade com base no diálogo, na transparência e no compromisso com a excelência acadêmica.

A nomeação do reitor e da vice-reitora, entretanto, ainda dependia de um passo fundamental: o reconhecimento por parte do Governo Federal. E, em fevereiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a escolha da comunidade acadêmica, garantindo que a UFCG pudesse, enfim, retomar a normalidade institucional e reafirmar sua autonomia universitária.

Com essa decisão, ficou evidente que a luta pela democracia dentro das universidades não foi em vão. O respeito à vontade da comunidade acadêmica é um princípio fundamental para a construção de uma universidade forte, plural e comprometida com o avanço do conhecimento.

Agora, chegou o momento de oficializar essa conquista e dar início a um novo ciclo para a UFCG.


Cerimônia de Investidura: Um Marco na História da UFCG

O próximo grande passo para consolidar essa transição será a cerimônia de investidura nos cargos de reitor e vice-reitora, um evento que marcará oficialmente o início da nova gestão.

A posse será realizada no dia 28 de março de 2025, durante a 13ª Reunião Extraordinária do Conselho Universitário (CONSUNI). A convocação foi feita pelo Presidente do CONSUNI, Professor Camilo Allyson Simões de Farias, e representa um momento de celebração para toda a comunidade universitária.

📅 Data: 28 de março de 2025 (sexta-feira)
Horário: 17h
📍 Local: Centro de Eventos Rosa Tânia Barbosa de Menezes – Campus Campina Grande com transmissão pelos canais oficiais: UFCG virtual e TV UFCG

Essa solenidade não é apenas um ato administrativo, mas um símbolo da resistência e da luta da comunidade acadêmica pela preservação da autonomia universitária. A posse de Camilo Farias e Fernanda Leal representa um novo começo para a UFCG, pautado pela gestão democrática, pela valorização do ensino, da pesquisa e da extensão, e pelo compromisso com os desafios do futuro.


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