UFCG, a que ponto chegamos? Conchavos e luta por poder revelam o quanto ainda se despreza a democracia interna

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

Manobras para obstruir eleições e conquistar o poder a todo custo evidenciam um ambiente onde o debate democrático dá lugar ao silêncio imposto e à política de bastidores.

Nos bastidores da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o que deveria ser um ambiente de pensamento crítico, democracia interna e construção coletiva está sendo, cada vez mais, distorcido. O que vemos hoje se assemelha mais a um “jogo de cartas marcadas”, onde articulações políticas e interesses pessoais colocam em risco os pilares que sustentam a vida universitária.

O caso mais recente revela um sinal de alerta que não pode ser ignorado. O processo eleitoral para a escolha dos representantes docentes do Centro de Humanidades junto às Câmaras Superiores da Universidade está sendo alvo de uma possível tentativa de obstrução. Exigências absurdas, solicitações que afrontam diretamente a Resolução 001/2006 — norma que regula esse processo — indicam uma tentativa clara de procrastinar o rito democrático. Em outras palavras: parece haver quem prefira adiar a escolha legítima da representação para garantir o poder a qualquer custo.

E por que isso importa para você? Porque quando a democracia interna é violada, todos perdemos. Perdemos legitimidade, perdemos representatividade, perdemos a confiança em uma instituição pública que deveria nos orgulhar. Não se trata de uma disputa trivial — trata-se do futuro da universidade, do espaço de fala de cada docente, e da capacidade da UFCG de se manter como referência acadêmica e ética.

Denúncias se multiplicam. Reuniões preparatórias, decisões combinadas de antemão, acordos em círculos fechados — tudo isso ocorre antes das assembleias, esvaziando o papel da coletividade e transformando o que deveria ser um exercício de democracia em uma mera encenação. Como aceitar que, em pleno século XXI, a gestão universitária ainda seja guiada por práticas tão retrógradas?

Estamos diante de dois vícios institucionais profundos:

  1. O interesse político em manipular o tempo e o rito das escolhas legítimas, criando um cenário de perpetuação no poder que ignora o direito à alternância.
  2. O uso de artifícios dentro das Unidades Acadêmicas que sabotam a igualdade de condições, impedindo o revezamento saudável de lideranças e comprometendo o aprimoramento dos cursos.

Pior: a divergência tem sido criminalizada. Vozes dissonantes são silenciadas por meio de interpretações seletivas das normativas internas. Representações legítimas são contestadas com argumentos frágeis e parciais. Isso não é acaso. Isso é estratégia. E uma estratégia perigosa.

A UFCG está diante de um divisor de águas. Ou rompe, de forma corajosa, com essa cultura de clientelismo e autoritarismo disfarçado de legalidade, ou continuará submetida a um modelo que deseduca, desmobiliza e desumaniza. Universidade não é herança de grupos. É patrimônio público. E precisa ser tratada como tal.

É hora de dizer basta.
Chegamos ao ponto em que resistir não é mais uma escolha — é um dever moral.
Resistir é exigir ética.
Resistir é exigir transparência.
Resistir é recusar conchavos e acordos escusos.
Resistir é proteger o direito de todos — não de alguns — de decidir o futuro da Universidade.

Se calarmos agora, seremos cúmplices.
Se permitirmos mais um ciclo de manipulações, não poderemos mais dizer que somos parte de uma instituição justa.

A UFCG precisa lembrar quem ela é.
E a comunidade acadêmica precisa lembrar que o poder também está em suas mãos.

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