Debate do segundo turno revela atos antidemocráticos, acusações de má gestão e promessas de mudança para a UFCG.

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

“Revelações de atos antidemocráticos, falhas na gestão e acusações de improbidade marcaram o debate do segundo turno na UFCG. Candidatos divergiram sobre temas como calendário acadêmico e assistência estudantil, enquanto momentos de tensão revelaram a polarização do pleito.”

Por Xisto Souza Júnior*

O único debate do segundo turno foi marcado pela confissão de um ato antidemocrático por parte do atual reitor, professor Antônio Fernandes, candidato da Chapa 1, ao aceitar assumir a reitoria mesmo tendo obtido o terceiro lugar na consulta, alegando estar fazendo o melhor para a UFCG. Temas como incapacidade de gestão, improbidade e falta de administração complementaram o foco do debate.

As revelações de fatos e eventos que marcaram a história recente da UFCG, assim como atos irregulares cometidos ao longo dos últimos quatro anos (2020-2024), foram expostas em uma nota lida pela Chapa 3, composta pelo professor Camilo Farias como candidato a reitor e pela professora Fernanda Leal como candidata a vice-reitora. Essas revelações evidenciaram uma proposta de debate acalorado e revelador, especialmente para técnicos, docentes e estudantes que passaram a integrar a comunidade acadêmica nesse período.

A Chapa 1 apresentou-se de maneira escorregadia ao se recusar a responder as perguntas feitas pela Chapa 3, preferindo risos sarcásticos, informações inverídicas e até ofensas pessoais. Em um momento específico, o professor Antônio Fernandes (Chapa 1), demonstrando traços associados ao bolsonarismo, chamou o opositor, professor Camilo Farias (Chapa 3), de “sem vergonha“. Essa atitude causou espanto na plateia, incluindo a claque que, assim como no primeiro debate, compareceu ao auditório para aplaudir a cada fala do candidato da Chapa 1.

O debate foi dividido em seis blocos, incluindo apresentação (primeiro bloco) e considerações finais (sexto bloco). O segundo bloco começou com perguntas feitas pelos estudantes, seguido de questionamentos por técnicos administrativos e docentes, sendo o calendário letivo o principal tema abordado. A Chapa 1 justificou a decisão sobre o calendário com base na pandemia, alegando que a deliberação foi a melhor opção tomada pelo Conselho de Ensino. Esse argumento foi refutado pela Chapa 3, que não apenas demonstrou a incompetência da gestão atual em resolver o problema nos últimos três anos, mas também assumiu o compromisso de buscar uma solução nos primeiros 100 dias de gestão.

Sobre esse tema, cabe um comentário: ao contrário do exposto pelo professor Antônio Fernandes como justificativa para os 85 dias de intervalo letivo, essa decisão não foi amplamente democrática, já que o Conselho de Ensino optou por utilizar formulários do Google em vez de promover o debate no âmbito das Unidades Acadêmicas. Além disso, a escolha pelos 85 dias resultou em um atraso sem precedentes no ingresso de novos estudantes e no aumento da evasão acadêmica, evidenciada pela redução do número de alunos, de 19.638 em 2022 para 17.661 em 2024, o que representa uma queda de 10,07%.

O terceiro bloco foi marcado por perguntas diretas entre as chapas. Nesse momento, a Chapa 1 demonstrou total desconhecimento sobre a política do PENAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil) e incapacidade de regularizar o calendário acadêmico, evidenciada pela falta de isonomia nos valores das bolsas, pela desvalorização da praça das profissões, e pelos índices de baixa entrada e alta evasão.

O tema central, contudo, girou em torno do ato antidemocrático cometido pelo professor Antônio Fernandes, que afirmou ter aceitado com orgulho a nomeação feita pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro. Tal postura foi amplamente criticada, pois representou um gesto desrespeitoso contra a comunidade acadêmica e a consulta pública, transmitindo a ideia de que o candidato estaria disposto a aceitar qualquer coisa para ser reconduzido ao poder.

Assim como no primeiro debate, foram levantadas questões sobre nepotismo, envolvendo a indicação de familiares para funções gratificadas na UFCG, e gastos indevidos, estimados em torno de 20 milhões de reais, decorrentes de um convênio com o Parque Tecnológico. Mais uma vez, a Chapa 1 não conseguiu justificar essas ações, recorrendo a agressões verbais em suas respostas.

O ponto alto do debate ocorreu nas considerações finais, quando, emocionado, o professor Camilo Farias leu um documento que marcou a transição de gestão em 2021, lembrando que a UFCG foi vítima de uma intervenção. Ele destacou que retirar o atual interventor é uma missão que deve ser assumida por todos que fazem e amam a UFCG, convocando a comunidade a votar na Chapa 3 no dia 10 de dezembro de 2024.

* Professor da UFCG e líder do Grupo de Pesquisas GIDs

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