Eleições Docentes no Centro de Humanidades: Um passo à frente — mas já é hora de rever o modelo?

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

A recente eleição para representantes docentes no Centro de Humanidades revela avanços importantes, mas também expõe lacunas no modelo atual — seria hora de rever o formato de escolha por chapas nas unidades acadêmicas?

Campina Grande, 01 de maio de 2025: No dia 30 de abril, mesmo em pleno recesso acadêmico, o Centro de Humanidades da UFCG realizou a eleição para representantes docentes nas SODs. A votação ocorreu de forma totalmente digital pela plataforma SIGAA Eleições, e a apuração foi transmitida ao vivo pela plataforma StreamYard.

Considerando apenas os votos válidos, a participação foi expressiva: 216 docentes estavam aptos a votar para escolha de dois representantes no Colegiado Pleno e para as demais Câmaras Superiores houve uma média de 136 votantes para escolha de um representante para cada Câmara Superior. Os resultados refletem um processo disputado, transparente e com sinais de fortalecimento democrático.

Resultados para o Colegiado Pleno (2 vagas):

  • Shirley Barbosa – 58 votos (26,9%)
  • Keila Queiroz – 46 votos (21,30%)
  • Claudio Messias – 39 votos (18%)
  • Xisto Souza – 38 votos (17,60%)
  • Adriana Salete – 35 votos (16,20%)

Resultados para as Câmaras Superiores (1 vaga por Câmara):

  • Ensino: Maria Assunção – 63,23% dos votos
  • Pós-graduação: Kettrim Farias – 50,73% dos votos
  • Gestão Administrativa e Financeira: Joedson Brito – 58,2% dos votos
  • Pesquisa e Extensão: Luciana Leandro – 58,39% dos votos

Aspectos positivos a destacar:

  1. A consolidação do voto digital na UFCG trouxe agilidade tanto na votação quanto na apuração.
  2. Houve um crescimento no número de docentes interessados em ocupar espaços nas instâncias superiores, sinal de vitalidade democrática.
  3. A comissão eleitoral, presidida pelo professor Rosildo Brito, conduziu o processo com responsabilidade e clareza.

Entretanto, alguns pontos merecem atenção e revisão:

  1. A resolução que rege o processo eleitoral está desatualizada em relação ao ambiente digital como meio para realização da consulta pública. Questões como regras para campanha no dia da eleição, participação na sala de apuração são exemplos da necessidade de revisão.
  2. A ausência de debates comprometeu a possibilidade de confronto de ideias e propostas. Além disso, a realização do pleito em período de recesso acadêmico afetou o engajamento.
  3. A utilização de uma plataforma pública e gratuita para apuração, inviabilizou o uso da identidade visual institucional e comprometeu a apresentação do processo de apuração. Em vez de um logotipo da universidade ou do centro, a plataforma exibiu um pato como ícone principal. A aquisição oficial de uma ferramenta com identidade visual adequada é uma necessidade a ser considerada. Com relação a este aspecto, acreditamos que possa ser solucionado em breve com o uso do SIGAA para estas atividades.

Diante desse cenário, surge uma questão fundamental para reflexão futura:

Se há um movimento claro de democratização nos processos de escolha, por que ainda utilizamos o modelo de chapas completas nas Unidades Acadêmicas?

A experiência recente, com eleição individual por função, permitiu uma escolha mais autônoma e plural. Diferente do modelo de chapas, que muitas vezes impõe um pacote fechado de nomes, a votação por função valoriza a diversidade e o mérito individual de cada candidato ou candidata.

Este pode ser o momento ideal para repensar o modelo atual de representação. Mais do que um ajuste técnico, trata-se de um passo necessário para aprofundar a democracia e ampliar a representatividade nas decisões que afetam diretamente o cotidiano das Unidades Acadêmicas.

Esta revisão deve ser realizada no âmbito do Colegiado Pleno a partir de uma consulta a comunidade acadêmica.

Fica o convite à reflexão. No próximo post, voltaremos a esse tema com propostas concretas.

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