Quem Venceu o Debate? A UFCG em Foco no Último Encontro Entre Candidatos à Reitoria

Foto de Prof. Dr. Xisto Souza Júnior
Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

Com a participação ativa das chapas 2 e 3 e o silêncio da chapa 1, o debate não apenas esclareceu projetos, mas também levantou questionamentos sobre o compromisso com a democracia na universidade.

Por Xisto Souza Júnior

O último debate do primeiro turno da campanha para a reitoria da UFCG foi marcado por tensão, propostas e embates diretos. Realizado sob a organização do Grupo de Pesquisas Integradas em Desenvolvimento Socioterritorial (GIDs), o evento reuniu as chapas 2 e 3, em um confronto de ideias que deixou a ausência da chapa 1 ainda mais evidente. O debate trouxe à tona temas cruciais para o futuro da universidade.

A recusa da chapa 1 em participar gerou questionamentos entre os presentes. Em meio a uma comunidade acadêmica que valoriza o diálogo, a ausência foi interpretada por muitos como um sinal de distanciamento da prática democrática. Esse gesto levantou dúvidas sobre o comprometimento da chapa com os princípios democráticos, especialmente considerando que o termo “democracia” aparece apenas uma vez em sua carta-programa.

A rodada de abertura permitiu que cada chapa destacasse seus pontos fortes. A chapa 2, liderada pelas professoras Angélica e Rosilene (Lena), destacou a experiência acumulada na Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários (PRAC), com ênfase na assistência estudantil e no apoio aos técnicos administrativos. Já a chapa 3, representada pelo professor Camilo Farias e pela professora Fernanda Leal, além da ênfase as atividades desenvolvidas junto aos estudantes e técnicos, valorizou o debate como espaço democrático e destacou a necessidade de renovação na universidade.

No bloco mais intenso, as perguntas diretas acenderam o clima do debate. A chapa 2 questionou a ausência de menção ao auxílio estudantil na carta-programa da chapa 3, mas foi prontamente rebatida pelo professor Camilo, que destacou avanços durante a pandemia. Em contrapartida, a chapa 3 pressionou a chapa 2 quanto à transparência na gestão, suscitando discussões sobre auditoria e controle.

O ponto mais tenso foi o questionamento sobre o compromisso com a paridade na escolha do reitor pelo Conselho Universitário. A chapa 2 enfrentou um momento delicado, pois a professora Angélica integrou a gestão de Antônio Fernandes, nomeado sem ter sido eleito. Angélica buscou dissociar sua atuação na PRAC das controvérsias da gestão atual, mas a questão gerou desconforto.

As perguntas da comunidade acadêmica deram profundidade ao debate. Temas como transporte estudantil, parcerias via TEDs, melhorias nas condições de trabalho dos técnicos administrativos e apoio à criação de empresas juniores foram amplamente discutidos. Ambas as chapas abordaram o controverso convênio de R$ 20 milhões com o Parque Tecnológico, onde a gestão atual é acusada de nepotismo e improbidade administrativa. O tema, sob análise do Ministério Público Estadual e Federal, foi citado como exemplo de necessidade de maior transparência.

Diferente dos embates anteriores, marcados por conflitos e pedidos de direito de resposta, este debate foi considerado um avanço. Houve apenas um pedido de resposta, usado para defesa, sem ataques diretos. O tom mais sereno permitiu que as ideias fossem discutidas de forma clara, com ambas as chapas apresentando planos para o futuro da UFCG.

Mas, quem venceu o debate?

A grande vencedora deste debate foi a democracia.

As chapas 2 e 3 demonstraram respeito pela comunidade acadêmica e compromisso com o diálogo, reforçando a importância de discutir abertamente os rumos da universidade. A ausência da chapa 1, taxada como “fujona” pelos integrantes das demais chapas, levantou dúvidas sobre seu engajamento com os valores democráticos.

Ao final, ficou evidente que o futuro da UFCG depende da participação ativa de todos os segmentos. Parabéns às chapas participantes por manterem vivo o espírito democrático e por darem à comunidade acadêmica a oportunidade de conhecer suas propostas. O debate reforçou que, independentemente das divergências, o diálogo é o caminho para a construção de uma universidade melhor.

Compartilhe:

UFCG: 23 Anos de Luta – Uma Análise pelas Gestões Reitorais

Ao longo de 23 anos, a UFCG se firmou como símbolo da interiorização do ensino superior e da resistência universitária no Nordeste. Criada em 2002, enfrentou ciclos de expansão, crise e reconstrução. Por Xisto Souza Júnior* Campina Grande, 09 de abril de 2025, Ao longo de quase um quarto de século, a Universidade Federal de

Leia mais »

O Início de Uma Nova História na UFCG

Após quatro anos de incertezas e uma gestão imposta pelo governo Bolsonaro, a UFCG volta a ter sua autonomia respeitada. Nesta sexta-feira (28), o Conselho Universitário oficializará a posse do reitor Camilo Farias e da vice-reitora Fernanda Leal, marcando o início de um novo ciclo para a instituição. Prof. Dr. Xisto Souza Júnior A Universidade

Leia mais »

Déjà Vu? Os EUA Podem Repetir o Golpe de 1964?

Déjà Vu? Os EUA Podem Repetir o Golpe de 1964?O histórico de intervenções dos Estados Unidos na política latino-americana levanta questionamentos sobre a possibilidade de novas articulações golpistas. Diante do atual cenário geopolítico, há razões para temer uma repetição da história? Xisto Souza Júnior* O histórico de intervenções dos Estados Unidos na política latino-americana sempre

Leia mais »

Trump e a Nova Guerra Mundial: O Impacto Econômico de um Isolamento Estratégico

À medida que Donald Trump avança com uma política externa marcada pelo protecionismo e pelo isolamento estratégico, o mundo enfrenta um novo cenário de incertezas. Xisto Souza Júnior* Campina Grande, 05 de março de 2025 – As recentes decisões do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm reacendido debates sobre as consequências de um isolacionismo

Leia mais »

Três Motivos Para Acreditar Que a Ofensiva de Trump Foi um Tiro No Pé

No tabuleiro da geopolítica, um movimento mal calculado pode custar caro. Ao transformar um aliado em adversário diante das câmeras, Trump não apenas expôs fragilidades diplomáticas, mas também abriu espaço para que a Europa e a Rússia redesenhassem seu papel no cenário global. Afinal, quando a estratégia se torna caos, quem realmente sai ganhando? Prof.

Leia mais »

A UFCG E O RENASCER DA DEMOCRACIA – AINDA ESTAMOS AQUI!

Após quatro anos de intervenção, UFCG retoma sua autonomia e celebra o retorno da democracia universitária com um ato simbólico que reforça a resistência e a esperança no futuro. Confira o texto e o vídeo no final da matéria. Prof. Xisto Souza Júnior* Campina Grande, 24 de fevereiro de 2024: No filme Ainda Estou Aqui,

Leia mais »