Eleição para Reitor da UFCG: Recorde de Participação, Caminho para o Segundo Turno e o Valor da Democracia Universitária

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

Com participação recorde e um forte compromisso com a democracia, a UFCG se prepara para o segundo turno da eleição para reitor, um momento decisivo para o futuro da instituição e a reafirmação da autonomia universitária

por Xisto Souza Júnior*

No último dia 3 de dezembro, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vivenciou um marco histórico em seu processo democrático interno: a escolha do próximo reitor por meio do sistema SIGAA Eleições. O pleito registrou um recorde de participação, com 10.477 votos da comunidade acadêmica votando, entre eles 1.344 docentes, 1.083 técnicos e 8.050 estudantes. Este engajamento massivo reflete não apenas o interesse no futuro da instituição, mas também a resiliência da democracia universitária em um contexto nacional desafiador.

A consulta pública apresentou três chapas concorrentes:

  • Chapa 1: Professor Antônio e Professora Patrícia.
  • Chapa 2: Professoras Angélica e Rosilene.
  • Chapa 3: Professor Camilo e Professora Fernanda.

Apesar de uma denúncia inicial de possível hackeamento do sistema, rapidamente descartada pelos técnicos do Setor de Tecnologia da Informação (STI), o processo eleitoral transcorreu de forma tranquila e transparente. A eficiência e o profissionalismo da equipe do STI foram fundamentais para garantir a segurança do sistema, consolidando a credibilidade do pleito.

Resultados do Primeiro Turno: Expressão da Vontade Coletiva

A apuração foi realizada de maneira ágil e revelou os seguintes resultados: Chapa 3: 45,3% dos votos. Chapa 1: 32,4% dos votos. Chapa 2: 22,3% dos votos.

A expressiva votação recebida pela Chapa 3, liderada pelo professor Camilo e pela professora Fernanda, colocou-a na liderança da disputa. No entanto, a Chapa 2, representada pelas professoras Angélica e Rosilene, destacou-se não apenas pelo número significativo de votos (3.117), mas também pelo gesto político de apoio à Chapa 3 no segundo turno. Essa decisão demonstra um compromisso com o diálogo e com a unidade institucional, fortalecendo a autonomia universitária em um momento crucial para a UFCG.

Apesar de ter conseguido continuar na disputa, a Chapa 1 foi a principal derrotada considerando o fato de ter sido a que obteve o menor número de votos (2590). Se a contagem fosse apenas de votos diretos, retirando o peso por categoria, a Chapa 3 teria ficado com 45,52%, a Chapa 2 com 29,75%, a Chapa 01 com 24,72%

A Fragilização da Democracia Universitária no Contexto Nacional

O recorde de participação na eleição da UFCG não pode ser analisado isoladamente, pois reflete um fenômeno maior: a revalorização da democracia nas universidades brasileiras. Durante o governo de Jair Bolsonaro, as instituições federais de ensino superior enfrentaram desafios significativos à sua autonomia. De intervenções diretas em nomeações de reitores a cortes orçamentários que ameaçaram a estabilidade das instituições, o período foi marcado por uma tentativa de enfraquecimento das estruturas democráticas internas.

As universidades federais são historicamente espaços de resistência e de construção coletiva do saber, mas nos últimos anos, tiveram sua autonomia frequentemente questionada. A nomeação de reitores sem respeito à vontade das comunidades acadêmicas foi um dos exemplos mais emblemáticos dessa fragilização. Nesse cenário, a eleição para reitor da UFCG representa uma reafirmação de que a universidade pertence, antes de tudo, à sua comunidade.

A Importância da Democracia na Construção do Futuro Universitário

A eleição é mais do que um processo administrativo; é a expressão máxima da democracia interna. Ela permite que docentes, técnicos e estudantes participem ativamente da escolha dos rumos da instituição, garantindo que a gestão seja um reflexo das necessidades e aspirações de todos os segmentos. Este exercício democrático fortalece não apenas a UFCG, mas também o conceito de educação pública de qualidade e autônoma.

O apoio da Chapa 2 à Chapa 3 no segundo turno simboliza essa busca por consenso e pela manutenção do diálogo aberto. Tal postura transcende a competição eleitoral, mostrando que o futuro da universidade está acima de interesses individuais ou de grupos. Esse gesto político reforça a importância de se construir uma gestão comprometida com a inclusão e com a diversidade de ideias, essenciais para o crescimento institucional.

Segundo Turno: Debate e Engajamento

Com o segundo turno marcado para os próximos dias, a campanha será retomada em clima de expectativa. Amanhã, 6 de dezembro, a UFCG será palco de um debate entre as Chapas 1 e 3, um momento crucial para que os candidatos apresentem suas propostas e para que a comunidade acadêmica aprofunde a reflexão sobre os rumos que deseja para a instituição.

Os temas discutidos durante esse debate terão grande impacto no futuro da UFCG. Assuntos como gestão de recursos, políticas de inclusão, inovação tecnológica, internacionalização e fortalecimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão serão fundamentais. Além disso, a manutenção e ampliação da autonomia universitária devem permanecer no centro das discussões, especialmente considerando o histórico recente de desafios impostos pelo cenário político nacional.

A Comunidade Acadêmica e o Futuro da UFCG

A eleição para reitor da UFCG em 2024 já se consolidou como um marco na história da instituição. O recorde de participação e o clima de engajamento mostram que a comunidade acadêmica está ciente de sua responsabilidade na construção do futuro da universidade.

Mais do que uma simples escolha de gestores, este pleito simboliza a reafirmação da democracia interna, a resistência contra qualquer tentativa de intervenção externa e o fortalecimento da educação pública, gratuita e de qualidade.

A comunidade acadêmica está convocada a continuar participando ativamente, não apenas votando, mas também debatendo e contribuindo para o crescimento da UFCG. O segundo turno será mais uma oportunidade de mostrar que, mesmo em tempos de desafios, a democracia universitária permanece viva e pulsante.

* Doutor em Geografia e líder do grupo de pesquisas GIDs

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