Trump, clima e guerra: o que pode influenciar no ajuste do Relógio do Juízo Final?

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Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Geógrafo e professor de Geografia da UAG/CH

Relógio do Juízo Final em 90 segundos: Reunião decisiva desta terça-feira avalia se a humanidade está mais próxima da catástrofe global. Conflitos geopolíticos, crise climática e novas tensões políticas são o foco das discussões.

Prof. Dr. Xisto Souza Jr

Campina Grande, 28 de janeiro de 2025: Nesta terça-feira (28), o mundo estará atento a uma reunião que pode rever o ajuste do Relógio do Juízo Final, símbolo criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 para medir o quão próximo a humanidade está de uma catástrofe global. Atualmente, o relógio marca 90 segundos para a meia-noite, o mais perto da destruição que já esteve. Essa decisão ocorre em um momento crítico, marcado por guerras, crises climáticas e tensões políticas globais intensificadas com a recente posse de Donald Trump e suas políticas controversas.

O Relógio do Juízo Final foi idealizado por cientistas renomados como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer para alertar a humanidade sobre os riscos nucleares. Desde então, passou a incluir também ameaças como mudanças climáticas e avanços tecnológicos descontrolados. Definido anualmente por especialistas e laureados com o Nobel, ele é mais do que um indicador simbólico — é um chamado à ação.

Em 2023, o relógio foi ajustado para 90 segundos devido à guerra na Ucrânia e à ameaça crescente do uso de armas nucleares. Agora, com a posse de Trump e sua postura política, novos riscos emergem, adicionando uma camada de incerteza à análise do Conselho de Ciência e Segurança.

O Papel de Trump e a Instabilidade Global

A administração Trump traz à tona preocupações significativas. Suas promessas de expandir os arsenais nucleares dos Estados Unidos e de adotar uma política externa mais agressiva já geram tensões com potências como China e Rússia. A retórica desafiadora em relação a países como o Irã e a Coreia do Norte também aumenta o risco de conflitos internacionais.

Além disso, Trump reduziu investimentos em iniciativas climáticas durante seu mandato anterior, enfraquecendo acordos globais cruciais, como o Acordo de Paris. Com ele de volta ao poder, teme-se que esses esforços sejam novamente minados, dificultando a luta contra as mudanças climáticas.


Em 2024, a Terra enfrentou seu ano mais quente já registrado. Desastres como inundações e incêndios florestais devastaram comunidades inteiras, evidenciando a necessidade urgente de ação climática. No entanto, esforços globais permanecem insuficientes. A queima de combustíveis fósseis continua alta, enquanto investimentos em energia limpa, embora recordes, ainda não compensam os danos causados pelas emissões.

A incapacidade de lidar com a crise climática coloca bilhões de vidas em risco e agrava a instabilidade geopolítica, já que escassez de recursos e desastres naturais intensificam conflitos.


O Risco Nuclear e Tecnologias Disruptivas

O cenário nuclear também é alarmante. Rússia, Estados Unidos e China estão engajados em uma corrida armamentista, enquanto acordos de controle de armas enfraquecem. A guerra na Ucrânia trouxe a ameaça de ataques nucleares para o centro das discussões globais, e o aumento das tensões em regiões como o Oriente Médio e a Ásia exacerba o perigo.

Além disso, os avanços rápidos em inteligência artificial e biotecnologia levantam preocupações sobre o uso malicioso dessas tecnologias. O desenvolvimento de armas autônomas letais e o risco de manipulação genética descontrolada são ameaças reais que requerem governança global urgente.


A Importância da Reunião

A reunião desta terça-feira será uma oportunidade para cientistas e especialistas discutirem esses riscos interconectados e decidirem se o Relógio do Juízo Final deve ser ajustado novamente. Este momento serve como um lembrete da responsabilidade coletiva de líderes e cidadãos para enfrentar essas ameaças com urgência e determinação.

Se o relógio avançar ainda mais, será um alerta claro de que a humanidade está se aproximando perigosamente da autodestruição. No entanto, há esperança: ações coordenadas e um compromisso renovado com a diplomacia, a sustentabilidade e a cooperação global podem reverter esse cenário.

O Relógio do Juízo Final não é apenas um símbolo; é um apelo à consciência global. Ele nos desafia a enfrentar nossos medos, priorizar o bem comum e adotar medidas que garantam a sobrevivência e o bem-estar de todos. A reunião desta terça-feira é um momento crucial para refletir sobre o futuro que queremos construir — um futuro que depende de nossas escolhas hoje.

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