GRUPO DE PESQUISAS INTEGRADAS EM DESENVOLVIMENTO SOCIOTERRITORIAL

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Anistia não é esquecimento: o risco de absolver quem atenta contra a democracia

Enquanto o Brasil debate uma possível anistia para Jair Bolsonaro e generais envolvidos em ataques à democracia entre 2022 e 2023, cresce o alerta entre juristas, historiadores e vítimas da repressão: perdoar golpistas é repetir os erros do passado e abrir espaço para novas ameaças ao Estado de Direito.

Em 1971, Esmeraldina Carvalho Cunha, uma dona de casa baiana, viu sua filha mais nova, Nilda, ser presa e torturada por agentes da ditadura militar brasileira. Determinada a encontrar e libertar a filha, Esmeraldina enfrentou o regime, denunciando publicamente as atrocidades cometidas pelo Estado. Sua luta incansável terminou tragicamente em 1972, quando foi encontrada morta em circunstâncias suspeitas, que a Comissão Nacional da Verdade atribuiu à repressão estatal.​

Nilda Carvalho Cunha (1954-1971)
Aos 17 anos, Nilda fazia o curso secundário e trabalhava como bancária quando passou a militar no MR-8. Presa em agosto de 1971, em Salvador (BA), junto com Jaileno Sampaio, também militante, foi levada para o Quartel do Barbalho e, depois, para a Base Aérea de Salvador, onde foi torturada. Liberada no início de novembro, profundamente debilitada em conseqüência das torturas sofridas, morreu no mesmo mês, com sintomas de cegueira e asfixia. No seu prontuário constava que não comia, via pessoas dentro do quarto, sempre homens, soldados, e repetia incessantemente que ia morrer, que estava ficando roxa. A causa da morte nunca foi conhecida. O atestado de óbito diz: edema cerebral a esclarecer. Esmeraldina Carvalho Cunha, que denunciou incessantemente a morte da filha como conseqüência das torturas, foi encontrada morta em sua casa, cerca de um ano depois. A hipótese de suicídio foi contestada. (Fonte: https://estoriasdeantigamente.blogspot.com/)

A história de Esmeraldina é um lembrete doloroso das consequências da impunidade. A anistia de 1979, concedida durante a redemocratização do Brasil, permitiu o retorno de exilados e libertou presos políticos, mas também impediu a responsabilização de agentes do Estado por crimes graves.​

Hoje, o país enfrenta um novo debate sobre anistia, desta vez para aqueles que atentaram contra a democracia entre 2022 e 2023. O ex-presidente Jair Bolsonaro e vários generais estão sob investigação por sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado. Conceder anistia agora seria permitir que a democracia brasileira seja tratada como descartável, dizendo que não há consequências para quem ataca o Estado de Direito.​

A anistia proposta para os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 tenta reescrever o sentido da palavra "anistia". Diferentemente dos perseguidos da ditadura, esses indivíduos não lutavam por liberdade, mas por sua supressão.​

A história nos ensina que a impunidade não constrói paz. Conceder anistia a quem tentou destruir a democracia seria virar as costas para a própria democracia. Seria deixar mães como Esmeraldina sozinhas em sua luta por justiça, enquanto os novos algozes saem ilesos pela porta da frente.​

Defender a responsabilização dos golpistas não é um ato de vingança, é um ato de proteção. Proteção ao voto, à Constituição, à liberdade de todos. A democracia é um sistema que exige vigilância constante. E quando ela é atacada, a resposta precisa ser firme.​

Dez razões para dizer "Anistia, jamais"

  1. Impunidade incentiva novos ataques: Perdoar crimes graves sem punição encoraja futuras tentativas de subversão da ordem democrática.​
  2. Desrespeito às vítimas: Anistiar os culpados ignora o sofrimento das vítimas e de suas famílias, perpetuando a injustiça.​
  3. Erosão da confiança nas instituições: A falta de responsabilização mina a credibilidade das instituições democráticas.​
  4. Precedente perigoso: Estabelece que crimes contra a democracia podem ser cometidos sem consequências.​
  5. Desigualdade perante a lei: Anistiar figuras poderosas enquanto cidadãos comuns são punidos por crimes menores demonstra parcialidade.​
  6. Desestímulo à participação cívica: A sensação de impunidade pode desmotivar a população a se engajar politicamente.​
  7. Comprometimento da memória histórica: Perdoar crimes graves distorce a narrativa histórica e impede o aprendizado com os erros do passado.
  8. Fragilização do Estado de Direito: A anistia pode ser vista como uma concessão que enfraquece a autoridade das leis.​
  9. Incentivo à polarização: Decisões que favorecem determinados grupos podem aprofundar divisões sociais e políticas.​
  10. Obstáculo à reconciliação nacional: A verdadeira reconciliação exige reconhecimento dos erros e justiça, não esquecimento.​

A democracia brasileira não pode se dar ao luxo de repetir os erros do passado. A anistia para aqueles que atentaram contra o Estado de Direito entre 2022 e 2023 seria um retrocesso inaceitável. É imperativo que a justiça prevaleça, garantindo que tais crimes não fiquem impunes e que a democracia seja preservada para as futuras gerações.

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UFCG: 23 Anos de Luta – Uma Análise pelas Gestões Reitorais

Ao longo de 23 anos, a UFCG se firmou como símbolo da interiorização do ensino superior e da resistência universitária no Nordeste. Criada em 2002, enfrentou ciclos de expansão, crise e reconstrução.

Por Xisto Souza Júnior*

Campina Grande, 09 de abril de 2025, Ao longo de quase um quarto de século, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) tem sido palco de disputas, avanços e resistências que refletem não apenas sua identidade institucional, mas também os dilemas da educação pública brasileira. Criada em 2002 por meio da Lei nº 10.419, a UFCG nasceu do processo de desmembramento da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), consolidando um novo projeto de interiorização do ensino superior no Nordeste, com sede administrativa e protagonismo acadêmico no interior paraibano (BRASIL, 2002).

Mais do que um marco jurídico, sua criação representou um avanço estratégico na democratização do acesso à educação superior em regiões historicamente negligenciadas. Desde então, cada gestão reitoral assumiu o desafio de consolidar a UFCG como instituição autônoma, plural, crítica e comprometida com o desenvolvimento regional sustentável. Diversos estudos destacam o papel das universidades federais do interior na promoção de políticas de inclusão social e na valorização da pesquisa aplicada às realidades locais (CUNHA, 2007; MOURA, 2018).

Recontar a história da UFCG por meio de suas reitorias é compreender como a luta por autonomia, permanência estudantil, inclusão, financiamento e democracia interna moldou a instituição — especialmente em contextos adversos como os vividos nos últimos anos, quando a autonomia universitária foi colocada à prova por intervenções políticas e orçamentárias. Nesse percurso, a UFCG resiste como um espaço de formação crítica e esperança coletiva, reafirmando seu papel como instrumento de transformação no Nordeste brasileiro.

Mais do que datas, sua história é marcada por batalhas institucionais, crescimento acadêmico e enfrentamento de crises políticas. A seguir, um olhar sobre as gestões que moldaram a universidade:

Thompson Mariz (2002–2012): O arquiteto da autonomia

Visionário, corajoso e determinado. Foi assim que Thompson Mariz entrou para a história como o primeiro reitor da UFCG, liderando o audacioso processo de emancipação da então unidade da UFPB. Mais que gestor, foi um arquiteto de sonhos — moldando as fundações de uma universidade nascida para ser protagonista.

Sob sua liderança, a UFCG ganhou forma, alma e identidade. Sete campi se ergueram como faróis do conhecimento no interior nordestino. Cursos de graduação e pós-graduação foram criados com a ousadia de quem acreditava na força da ciência e da educação como instrumentos de transformação.

Thompson não construiu apenas prédios. Construiu autonomia, pertencimento, orgulho. Sua gestão projetou a UFCG no cenário nacional, com destaque em áreas como engenharia elétrica, ciências agrárias e ciência da computação — consolidando um legado que ainda ecoa em cada sala de aula, em cada laboratório, em cada conquista acadêmica.

José Edilson de Amorim (2013–2016): A gestão da travessia

Em tempos de incerteza, líderes sensíveis fazem toda a diferença. Edilson Amorim assumiu a reitoria em meio à recessão econômica e ao aumento das tensões sociais. Mesmo diante das adversidades, ele manteve firme o leme da inclusão.

Sua gestão foi marcada pela defesa incondicional da permanência estudantil. Bolsas foram ampliadas, políticas de apoio reforçadas, e as ações afirmativas ganhavam novo fôlego. Ele fez da UFCG um abrigo para os que mais precisavam e um espaço mais justo para todos.

Apesar da escassez de recursos e das limitações estruturais, nunca abandonou o diálogo, nem cedeu à pressão. Edilson guiou a universidade com equilíbrio, tentando preservar o que era mais precioso: a autonomia, a diversidade e o compromisso com a transformação social.

Vicemário Simões (2016–2020): A travessia entre sombras e resistência

Assumir em meio ao caos é para poucos. E Vicemário Simões se viu à frente da UFCG durante um dos períodos mais turbulentos da política nacional. A estabilidade institucional era o objetivo, mas a tempestade não deu trégua.

Sua gestão buscou manter a normalidade administrativa, mas foi marcada por críticas à falta de diálogo e à dificuldade de enfrentar os cortes que estrangularam a educação pública. Protestos, embates internos e incertezas marcaram o período.

Ainda assim, houve esforços genuínos para manter viva a chama da pesquisa e da extensão. Mesmo com os ventos contrários, projetos acadêmicos seguiram em frente. Foi um tempo de resistência, onde a democracia interna e a autonomia universitária foram colocadas à prova — e onde cada pequena conquista foi, na verdade, um ato de coragem coletiva.

Gestão interventora (2020–2024): O tempo da escuridão

Poucas vezes na história da UFCG a palavra “intervenção” pesou tanto. Pela primeira vez a reitoria fica vazia uma vez que o reitor nomeado não foi referendado pela comunidade.

Durante esses quatro anos, a universidade foi silenciada. Reitores não eleitos pela comunidade foram impostos pelo governo federal, ferindo o pacto democrático que sustenta o espírito universitário. O resultado? Uma instituição paralisada, desmobilizada, desconectada de sua própria essência.

Projetos foram desmontados. Conselhos ignorados. Cortes de verbas, tentativas de cerceamento ideológico e o enfraquecimento da autonomia geraram um sentimento generalizado de desalento. A UFCG, que sempre pulsou como centro de pensamento crítico e liberdade, parecia ter perdido sua voz.

Mas nem nas noites mais escuras a esperança se apaga.

Camilo Farias (2025 -) (2024–atual): Reconstruir, reacender, reerguer

Com a retomada da democracia interna, uma nova era começou.

A eleição de uma nova reitoria legitimamente escolhida pela comunidade acadêmica acendeu a centelha da esperança. Agora, o desafio é gigante — reconstruir uma universidade que foi ferida, mas não vencida.

Há muito a fazer: recuperar estruturas, valorizar docentes e técnicos, fortalecer a ciência, a inovação, e, sobretudo, reconectar a UFCG com o povo nordestino e com o Brasil.

Mais do que reconstrução, o momento exige renascimento. Em um país que busca curar as feridas da polarização e do negacionismo, a UFCG quer voltar a ser espaço de diálogo, de cultura, de liberdade e de futuro.

Porque cada universidade é muito mais do que um campus. É um território de sonhos. E agora, a UFCG volta a sonhar — com os pés firmes no chão da realidade e os olhos voltados para o amanhã.

Fonte:

BRASIL. Lei nº 10.419, de 9 de abril de 2002. Cria a Universidade Federal de Campina Grande. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 2002.

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O Início de Uma Nova História na UFCG

Após quatro anos de incertezas e uma gestão imposta pelo governo Bolsonaro, a UFCG volta a ter sua autonomia respeitada. Nesta sexta-feira (28), o Conselho Universitário oficializará a posse do reitor Camilo Farias e da vice-reitora Fernanda Leal, marcando o início de um novo ciclo para a instituição.

Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) está prestes a viver um dos momentos mais significativos de sua história recente. Após quatro anos marcados por desafios institucionais, questionamentos sobre a autonomia universitária e uma administração imposta pelo governo federal anterior, a comunidade acadêmica finalmente retoma o direito de ter sua vontade respeitada.

No dia 28 de março de 2025, a UFCG oficializará a posse do professor Camilo Farias como reitor e da professora Fernanda Leal como vice-reitora para o quadriênio 2025-2028. Esse evento representa não apenas uma mudança de gestão, mas a reafirmação dos valores democráticos dentro da instituição, que desde sua fundação sempre prezou pela autonomia e pelo compromisso com a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão. O evento será trasmitido pelo canal da UFCG virtual e TV UFCG

Mas para compreendermos a importância desse momento, é essencial relembrar os desafios enfrentados pela universidade nos últimos anos e como a comunidade acadêmica conseguiu superar esse período para, agora, dar início a uma nova história.


Quatro Anos de Incertezas: A Intervenção na UFCG

O cenário que antecedeu essa mudança de gestão foi um dos mais conturbados da história da UFCG. Em 2020, ao final do mandato do então reitor Vicemário Simões, a comunidade acadêmica realizou o processo democrático de escolha da nova reitoria, como de praxe. Na ocasião, a eleição indicou a vitória da chapa composta por Vicemário Simões e Camilo Farias.

Entretanto, contrariando a vontade expressa da comunidade universitária, o então presidente Jair Bolsonaro optou por nomear um reitor que não havia sido o escolhido pela maioria da instituição. Essa decisão seguiu um padrão que se repetiu em diversas universidades federais brasileiras durante aquele período, colocando em xeque a autonomia universitária e gerando grande insegurança dentro das instituições.

Foram quatro anos difíceis, nos quais a UFCG enfrentou obstáculos administrativos, cortes orçamentários e um ambiente de insegurança institucional. A imposição de uma gestão que não representava a escolha legítima da comunidade acadêmica trouxe questionamentos sobre a condução das políticas universitárias, além de gerar um distanciamento entre a administração central e os anseios da base universitária.

A falta de sintonia entre gestão e comunidade acadêmica gerou impactos tanto no clima institucional quanto no desenvolvimento de projetos estratégicos para a universidade. Além disso, a UFCG enfrentou desafios comuns a outras instituições federais, como redução de investimentos na educação, cortes de bolsas e dificuldades na captação de recursos.

Diante desse cenário, a luta pela autonomia universitária tornou-se ainda mais urgente e necessária. A esperança por uma mudança ganhou força nas eleições universitárias de 2024, quando a comunidade acadêmica novamente foi às urnas para decidir seu futuro.


A Vitória da Comunidade: Democracia e Autonomia Retomadas

No final de 2024, a UFCG viveu um momento de grande mobilização e engajamento em torno do processo eleitoral para a reitoria. A comunidade acadêmica, mais uma vez, demonstrou sua força e seu compromisso com a universidade pública, elegendo a Chapa 3 – Camilo Farias e Fernanda Leal para conduzir a instituição no período 2025-2028.

A vitória dessa chapa não foi apenas um resultado eleitoral, mas uma demonstração clara de que a comunidade universitária desejava retomar os princípios da gestão democrática e participativa. A decisão tomada nas urnas representou um desejo coletivo de superar os desafios dos últimos anos e reconstruir a universidade com base no diálogo, na transparência e no compromisso com a excelência acadêmica.

A nomeação do reitor e da vice-reitora, entretanto, ainda dependia de um passo fundamental: o reconhecimento por parte do Governo Federal. E, em fevereiro de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a escolha da comunidade acadêmica, garantindo que a UFCG pudesse, enfim, retomar a normalidade institucional e reafirmar sua autonomia universitária.

Com essa decisão, ficou evidente que a luta pela democracia dentro das universidades não foi em vão. O respeito à vontade da comunidade acadêmica é um princípio fundamental para a construção de uma universidade forte, plural e comprometida com o avanço do conhecimento.

Agora, chegou o momento de oficializar essa conquista e dar início a um novo ciclo para a UFCG.


Cerimônia de Investidura: Um Marco na História da UFCG

O próximo grande passo para consolidar essa transição será a cerimônia de investidura nos cargos de reitor e vice-reitora, um evento que marcará oficialmente o início da nova gestão.

A posse será realizada no dia 28 de março de 2025, durante a 13ª Reunião Extraordinária do Conselho Universitário (CONSUNI). A convocação foi feita pelo Presidente do CONSUNI, Professor Camilo Allyson Simões de Farias, e representa um momento de celebração para toda a comunidade universitária.

📅 Data: 28 de março de 2025 (sexta-feira)
Horário: 17h
📍 Local: Centro de Eventos Rosa Tânia Barbosa de Menezes – Campus Campina Grande com transmissão pelos canais oficiais: UFCG virtual e TV UFCG

Essa solenidade não é apenas um ato administrativo, mas um símbolo da resistência e da luta da comunidade acadêmica pela preservação da autonomia universitária. A posse de Camilo Farias e Fernanda Leal representa um novo começo para a UFCG, pautado pela gestão democrática, pela valorização do ensino, da pesquisa e da extensão, e pelo compromisso com os desafios do futuro.


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Déjà Vu? Os EUA Podem Repetir o Golpe de 1964?

Déjà Vu? Os EUA Podem Repetir o Golpe de 1964?O histórico de intervenções dos Estados Unidos na política latino-americana levanta questionamentos sobre a possibilidade de novas articulações golpistas. Diante do atual cenário geopolítico, há razões para temer uma repetição da história?

Xisto Souza Júnior*

O histórico de intervenções dos Estados Unidos na política latino-americana sempre levanta questionamentos sobre sua influência nos rumos dos países da região. Em 1964, o Brasil viveu um dos episódios mais marcantes dessa ingerência externa, com apoio direto do governo norte-americano ao golpe militar que depôs João Goulart e instaurou uma ditadura que durou 21 anos. Mas, diante do atual cenário geopolítico, seria possível que algo semelhante ocorresse novamente?

A Guerra Fria justificava, à época, uma série de ações dos EUA para conter a expansão do comunismo. Esse pretexto foi usado para desestabilizar governos progressistas e garantir que a América Latina permanecesse sob sua influência. Não foi apenas no Brasil que essa estratégia se manifestou. Golpes de Estado foram incentivados ou apoiados em diversos países, como Chile, Argentina e Bolívia, sempre sob a bandeira da "defesa da democracia", enquanto regimes autoritários eram instalados com forte repressão e violação de direitos humanos.

No século XXI, o contexto global mudou, mas algumas práticas persistem. Os EUA continuam exercendo grande influência sobre a América Latina, utilizando-se de diferentes estratégias para garantir seus interesses, que vão desde sanções econômicas até apoio indireto a determinados grupos políticos. A ascensão de governos progressistas na região e o fortalecimento de blocos independentes, como o BRICS, acendem o alerta sobre possíveis reações por parte de potências estrangeiras.

Além disso, o avanço da extrema direita no mundo reacende preocupações sobre novas formas de desestabilização política. A possível reeleição de Donald Trump nos EUA pode representar um reforço a movimentos autoritários na América Latina, especialmente no Brasil, onde figuras da direita radical já demonstraram alinhamento com o trumpismo. Um dos principais expoentes desse movimento é Eduardo Bolsonaro, que tem estreitado laços com setores ultraconservadores norte-americanos e participado ativamente de eventos ligados a Steve Bannon, estrategista que defende a atuação de forças de direita globalmente.

A articulação internacional da extrema direita pode levar a novos episódios de interferência política nos países latino-americanos, seja por meio da disseminação de desinformação, do apoio a grupos políticos locais ou até de tentativas de desestabilização institucional. O Brasil, que já enfrentou uma tentativa de golpe com os ataques de 8 de janeiro de 2023, segue sendo um país onde esses riscos não podem ser ignorados.

A grande questão que se impõe é: até que ponto os EUA, sob uma possível nova gestão de Trump, estarão dispostos a apoiar movimentos antidemocráticos no Brasil? A história ensina que a vigilância e a mobilização popular são essenciais para evitar retrocessos e garantir que a democracia não seja novamente refém de interesses externos.

Professor de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande

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Trump e a Nova Guerra Mundial: O Impacto Econômico de um Isolamento Estratégico

À medida que Donald Trump avança com uma política externa marcada pelo protecionismo e pelo isolamento estratégico, o mundo enfrenta um novo cenário de incertezas.

Xisto Souza Júnior*

Campina Grande, 05 de março de 2025 – As recentes decisões do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm reacendido debates sobre as consequências de um isolacionismo econômico em um mundo cada vez mais interconectado. Especialistas apontam que as medidas protecionistas adotadas pelo governo Trump, incluindo a taxação de importações e o rompimento de acordos estratégicos, podem desencadear uma crise sem precedentes.

As respostas do mercado foram imediatas. Os principais índices da bolsa norte-americana registraram quedas significativas após os anúncios de novas sanções comerciais e taxações impostas por Trump à exemplo do recuo de 2,64% da Nasdaq, 1,47% do Dow Jones e os impressionantes 8% da NVIDIA (confira aqui).

Além disso, a produção industrial dos Estados Unidos registrou retração em fevereiro, sinalizando um possível período de recessão. Enquanto isso, a economia chinesa seguiu na contramão, voltando a crescer no mesmo período, o que fortalece a posição do país asiático no cenário econômico global.

Uma das medidas mais controversas de Trump foi a imposição de tarifas sobre o petróleo e a energia elétrica do Canadá. A taxação de 10% sobre a importação desses insumos pode elevar significativamente o custo da gasolina e impactar diretamente os preços nos Estados Unidos.

A decisão levanta questionamentos sobre a viabilidade de uma economia norte-americana isolada. Historicamente, os EUA dependem de importações para suprir suas necessidades industriais e de consumo. Por exemplo, o país precisa importar cerca de 40% do aço utilizado em sua produção, adquirindo-o de países como Brasil, Coreia do Sul e Japão. Com a imposição de novas tarifas, especialistas preveem um aumento nos custos de produção, resultando em inflação e perda de competitividade no mercado global.

A postura de Trump está redesenhando alianças globais. Enquanto os EUA se afastam de seus parceiros tradicionais, a China vem fortalecendo laços com a Europa e com o Sul Global. Dados recentes apontam que 140 dos 193 países membros da ONU têm a China como principal parceiro comercial, o que reforça a ascensão do país como potência econômica mundial.

Além disso, a situação da Ucrânia também foi afetada pelas novas diretrizes do governo Trump. A decisão de suspender toda a ajuda militar ao país causou forte indignação na União Europeia, que agora busca novas alternativas para financiar a defesa ucraniana sem depender dos Estados Unidos. O bloco já discute um pacote de 150 bilhões de euros para compensar a ausência do apoio norte-americano.

A Guerra não é militar, mas já começou

Especialistas apontam que estamos diante de uma nova forma de guerra global – uma guerra econômica. As decisões de Trump não apenas impactam os Estados Unidos, mas também reconfiguram as dinâmicas do comércio internacional. Diferente dos conflitos militares tradicionais, essa guerra é travada através de sanções, barreiras comerciais e controle sobre recursos estratégicos.

As implicações dessas medidas podem ser profundas. O protecionismo exacerbado pode gerar uma reação em cadeia, levando a uma redução do crescimento global e ao fortalecimento de blocos econômicos alternativos sem a presença norte-americana.

Apesar das ações unilaterais de Trump, há sinais de resistência dentro do próprio Congresso norte-americano. No Senado, lideranças republicanas tradicionalistas já demonstraram descontentamento com algumas decisões do ex-presidente. O resultado das próximas eleições legislativas pode ser decisivo para determinar se essas políticas protecionistas continuarão ou serão revertidas.

Outra questão que preocupa analistas é o impacto dessas medidas sobre a população norte-americana. Com o aumento do custo de vida e a incerteza econômica, há um risco real de que eleitores que anteriormente apoiaram Trump reconsiderem sua posição nas urnas.

O mundo está em um momento de transição. As decisões tomadas pelos Estados Unidos nos próximos anos terão impactos diretos não apenas na economia americana, mas também na configuração da ordem global. A grande questão que permanece é: os EUA conseguirão manter sua liderança global enquanto adotam uma postura isolacionista?

A resposta para essa pergunta será decisiva para definir o futuro da economia mundial nas próximas décadas

* Professor da UFCG

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Três Motivos Para Acreditar Que a Ofensiva de Trump Foi um Tiro No Pé

No tabuleiro da geopolítica, um movimento mal calculado pode custar caro. Ao transformar um aliado em adversário diante das câmeras, Trump não apenas expôs fragilidades diplomáticas, mas também abriu espaço para que a Europa e a Rússia redesenhassem seu papel no cenário global. Afinal, quando a estratégia se torna caos, quem realmente sai ganhando?

Prof. Xisto Souza Júnior

Campina Grande, 03 de março de 2025: Donald Trump não é conhecido exatamente pelo seu tato diplomático. Mas sua recente interação com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, levou essa caractérística a um novo patamar. O encontro no Salão Oval, que deveria fortalecer laços e consolidar alianças, acabou virando um show de tensão geopolítica, com pitadas de reality show.

Ao adotar uma postura confrontativa e colocar em xeque o apoio dos EUA à Ucrânia, Trump não apenas gerou turbulência na diplomacia internacional, mas também reconfigurou as dinâmicas de poder entre Washington, Moscou e Bruxelas. A questão agora é: essa estratégia reforça a liderança dos EUA ou compromete sua credibilidade global?

Aqui estão três motivos para acreditar que essa ofensiva foi um erro estratégico de grandes proporções.


1. Transformou Zelensky em Vítima e a Europa em Aliada Ainda Mais Leal

Ao adotar um tom agressivo e permitir que seu vice, J.D. Vance, escalasse a discussão, Trump pode ter inadvertidamente transformado Zelensky em um herói injustiçado. O presidente ucraniano, que já luta para manter o apoio ocidental, saiu da reunião como um homem que tentou negociar, mas foi humilhado. O resultado? Líderes europeus rapidamente demonstraram apoio, reforçando a narrativa de que a Ucrânia precisa de suporte contra a ofensiva russa.

O efeito colateral dessa postura pode ser uma maior autonomia da Europa em relação aos Estados Unidos. Caso os aliados europeus sintam que não podem mais confiar na proteção americana, pode haver um aumento nos investimentos em defesa e uma aproximação com outros parceiros, como Japão e Austrália. Isso pode redefinir o papel dos EUA no tabuleiro global, tornando-os menos centrais no eixo de defesa do Ocidente.


2. Criou Um Constrangimento Desnecessário Para Sua Própria Base

Ser firme nas negociações é uma coisa. Criar uma cena pública, digna de um debate de reality show, é outra completamente diferente. Muitos aliados de Trump dentro dos Estados Unidos preferem um estilo mais pragmático e menos teatral nas relações internacionais. Expor abertamente divergências, sem necessidade, pode ter enfraquecido a percepção de liderança forte e calculista que ele tenta manter. O que deveria ser uma demonstração de autoridade virou um festival de tensão desnecessária.

Além disso, esse tipo de abordagem pode ter reflexos na própria imagem de Trump perante os eleitores americanos. Muitos conservadores, apesar de apoiarem uma política "America First", também valorizam alianças históricas. Se Trump continuar a afastar aliados, pode acabar isolando os EUA no cenário global e, por tabela, enfraquecendo sua própria base eleitoral nas próximas eleições.


3. Aproximou os EUA da Rússia de Forma Alarmante

Trump já vinha flertando com uma postura mais amigável em relação a Moscou, mas essa reunião pode ter selado essa mudança de forma mais contundente. A mensagem que ficou é clara: os EUA estão dispostos a se distanciar da Ucrânia e considerar um acordo com a Rússia. Isso não só preocupa aliados históricos dos EUA, como também abre espaço para que a China e a União Europeia redefinam seus papéis no tabuleiro geopolítico.

Se a ideia era reforçar a posição dos EUA como uma potência global, Trump pode ter conseguido exatamente o oposto. Uma aproximação excessiva com Putin pode levar a uma reação mais dura da União Europeia e, possivelmente, acelerar a transição para um mundo multipolar, onde potências regionais tenham mais peso nas decisões globais.


Impacto Geopolítico: O Que Pode Mudar?

A grande consequência da estratégia de Trump é o possível enfraquecimento da influência americana sobre a Europa e outras democracias ocidentais. Caso a Ucrânia perca apoio dos EUA, a União Europeia pode se ver forçada a assumir um papel maior na defesa continental. Isso poderia resultar em:

  • Aceleração da militarização europeia, com países como Alemanha e França investindo mais em defesa para compensar uma eventual retirada dos EUA.
  • Fortalecimento da China e Rússia, que podem expandir suas influências sobre países historicamente alinhados com Washington.
  • Redesenho das alianças militares, com a OTAN enfrentando um possível reequilíbrio interno se os EUA reduzirem seu compromisso.

Em termos estratégicos, o maior risco para os EUA é que essa mudança de postura abra espaço para a China assumir um papel ainda mais influente na diplomacia global. Com um Ocidente fragmentado, Pequim pode se consolidar como um mediador diplomático e econômico mais confiável do que Washington.


Conclusão: Quando a Pressão Sai Pela Culatra

A estratégia de Trump poderia ter sido mais bem calculada. No fim, ele conseguiu gerar manchetes explosivas, mas às custas de sua própria diplomacia. Zelensky saiu fortalecido perante a opinião internacional, a Europa se uniu ainda mais em torno da Ucrânia e a imagem dos EUA como um parceiro confiável ficou, no mínimo, abalada.

Se essa era a tática de negociação de Trump, talvez ele devesse considerar um outro caminho. Porque até agora, o único alvo atingido por sua ofensiva parece ter sido ele mesmo.

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A UFCG E O RENASCER DA DEMOCRACIA – AINDA ESTAMOS AQUI!

Prof. Xisto Souza Júnior*

Campina Grande, 24 de fevereiro de 2024: No filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, acompanhamos a emocionante trajetória de Eunice Paiva, uma mulher que enfrentou a dor da perda e a violência da ditadura militar, mas que nunca deixou de lutar pela verdade e pela justiça. Sua resistência se tornou um símbolo de perseverança, mostrando que, mesmo diante das maiores adversidades, a verdade sempre encontra um caminho para se reerguer.

Assim como Eunice, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) também atravessou tempos difíceis. Durante quatro anos, a autonomia universitária foi desrespeitada por uma intervenção política que colocou no comando um gestor que não representava a vontade da comunidade acadêmica. O que se seguiu foi um período de incertezas, questionamentos éticos e ataques aos princípios que fundamentam a educação pública e democrática no Brasil.

Mas hoje, a UFCG escreve um novo capítulo em sua história. O cerimonial de posse da nova gestão, liderada pelo reitor Camilo Farias e pela vice-reitora Fernanda Leal, não foi apenas uma formalidade institucional, mas um ato de reafirmação da dignidade administrativa e do resgate da democracia universitária. A mensagem que ecoou entre aqueles que participaram do evento foi clara e poderosa: AINDA ESTAMOS AQUI!

Uma Luta de Resistência e Esperança

Esse lema, que marcou a cerimônia, carrega em si a força da resistência e da esperança. Ele também simboliza a perseverança da comunidade acadêmica, que durante quatro anos nunca desistiu de lutar pela restituição dos valores democráticos. Assim como a história de Eunice Paiva nos ensina que a memória e a justiça devem ser preservadas, o retorno da autonomia na UFCG prova que a democracia pode até ser atacada, mas jamais destruída.

A presença do professor Vicemário Simões, reitor eleito em 2020 mas impedido de assumir, deu ainda mais peso ao momento. Ele recordou que, já em 2019, havia indícios de que a decisão da comunidade universitária não seria respeitada. Essa intervenção política foi tão desorganizada que deixou a UFCG, pela primeira vez em sua história, sem um gestor legítimo à frente de suas decisões. Mas o tempo passou, a resistência permaneceu e, agora, a justiça foi restabelecida.

A Queda das Catracas: Um Símbolo de Inclusão

Entre os gestos mais simbólicos dessa nova fase, um se destacou: a retirada das catracas da universidade. Mais do que um simples ato administrativo, essa decisão representa a remoção de barreiras físicas e ideológicas, reafirmando o compromisso da nova gestão com a inclusão, o respeito e a liberdade acadêmica.

Durante anos, as catracas serviram como um símbolo de restrição, separando a UFCG de sua essência democrática. Sua remoção, portanto, não foi apenas uma mudança estrutural, mas sim uma demonstração concreta de que a universidade pertence a todos e todas que nela constroem conhecimento, ciência e cidadania.

O Futuro Começa Agora

Se há algo que a história nos ensina, é que o futuro não se constrói sozinho. Ele é moldado pelas ações do presente e pelas lutas do passado. A posse da nova gestão da UFCG não apenas celebra o retorno da democracia universitária, mas também serve como um chamado para que todos participem ativamente desse novo ciclo.

🔥 Que este momento sirva de inspiração para que nunca deixemos de lutar pelo que é certo. A UFCG está viva. A democracia está viva. E mais do que nunca, podemos afirmar: AINDA ESTAMOS AQUI!

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*É Doutor (2008) em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Presidente Prudente na área de concentração produção do espaço geográfico. É professor Associado IV da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vinculado a Unidade Acadêmica de Geografia atuando na área de produção do espaço urbano e desenvolvimento regional. É líder do Grupo de Pesquisas Integradas em Desenvolvimento Socioterritorial (https://gidsufcg.com.br) e desenvolve pesquisas relacionadas a análise da violência urbana e produção social do espaço, centralidade urbana e Geografia do Turismo. É professor colaborador do Programa de Pós-graduação em História da UFCG atuando na Linha I: Cultura e Cidades. Entre 2013-2016 desenvolveu pesquisa financiada pelo CNPq, Programa Universal, tendo como tema a produção do espaço turístico. Desenvolve atualmente pesquisa financiada pelo CNPq sobre análise regional do turismo na região geográfica de Campina Grande. Fone para contato: 83 986447674 (Whatsapp)/ e-mail (xisto.serafim@professor.ufcg.edu.br

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O DREAM TEAM DA UFCG: NOVA GESTÃO RUMO AO DESENVOLVIMENTO E À DEMOCRACIA

A nomeação de Camilo Farias como reitor da UFCG marca a retomada da democracia na universidade. Com uma equipe qualificada e comprometida, a nova gestão chega para fortalecer o desenvolvimento institucional e garantir avanços acadêmicos, administrativos e comunitários.

Prof. Dr. Xisto Souza Júnior

Campina Grande, 21 de fevereiro de 2025: Assim como um grande time de futebol precisa de jogadores talentosos e estratégicos para garantir a vitória, a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) acaba de formar seu próprio "dream team" para a gestão do quadriênio 2025-2028. Sob a liderança do reitor eleito, professor Camilo Allyson Simões de Farias, e da vice-reitora, professora Fernanda de Lourdes Almeida Leal, a nova equipe de gestão chega com a missão de resgatar o desenvolvimento da instituição e reafirmar o compromisso com a democracia universitária.

A nomeação de Camilo Farias como reitor, publicada no Diário Oficial da União no último dia 14 de fevereiro, marca um momento histórico para a UFCG. Com 61,32% dos votos válidos no segundo turno da consulta democrática, sua eleição simboliza não apenas a escolha legítima da comunidade acadêmica, mas também a retomada do respeito às decisões institucionais. Assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o decreto de nomeação garante que a vontade da maioria seja, enfim, concretizada.

O Time que Vai Conduzir a Nova Era da UFCG

Com um elenco de profissionais altamente qualificados, a nova gestão chega com energia renovada para fortalecer a UFCG em todas as áreas. A equipe de pró-reitores, secretários e dirigentes universitários já está definida:

  • Érica Cristine Medeiros Machado – Pró-reitora de Ensino
  • Claudianor Oliveira Alves – Pró-reitor de Pós-graduação
  • Reginaldo Pereira França Júnior – Pró-reitor de Assuntos Comunitários
  • Johnatan Rafael Santana de Brito – Pró-reitor de Gestão Administrativa e Financeira
  • Lidiane Barbosa de Lima – Chefe de Gabinete
  • Fernanda de Lourdes Almeida Leal – Vice-reitora e Pró-reitora de Pesquisa e Extensão
  • Mário de Sousa Araújo Neto – Secretário de Planejamento e Orçamento
  • Allan Gustavo Freire da Silva – Secretário de Recursos Humanos
  • Larissa Santana Batista – Prefeita Universitária
  • Edmilson de Souza Ramos Neto – Secretário de Órgãos Deliberativos Superiores
  • Homero Gustavo Correia Rodrigues – Superintendente do Hospital Universitário Alcides Carneiro
  • Luiz Jardelino de Lacerda Neto – Superintendente do Hospital Universitário Júlio Bandeira

Com essa formação, a UFCG se prepara para uma nova fase de avanços acadêmicos, administrativos e institucionais. A experiência e a competência desse grupo garantem uma administração comprometida com a excelência no ensino, na pesquisa, na extensão e na assistência estudantil.

Os Primeiros Passos da Transição

A transição de gestão já começou. Na tarde do dia 17 de fevereiro, aconteceu a primeira reunião entre o atual reitor, Antônio Fernandes, e o reitor nomeado, Camilo Farias. O encontro contou com a presença da vice-reitora eleita, membros das duas administrações, sindicatos, representantes estudantis e da Procuradoria Federal junto à UFCG.

Com um clima de profissionalismo e cooperação, foram debatidos pontos essenciais para garantir que a mudança de gestão ocorra de forma eficiente e transparente. Um dos focos da equipe de transição é a manutenção dos serviços essenciais para a comunidade acadêmica, como o funcionamento dos restaurantes universitários. Além disso, foram solicitadas informações detalhadas sobre concursos públicos, licitações, convênios e demandas judiciais em andamento.

Para assegurar uma transição fluida, o atual reitor apresentou um cronograma de reuniões setoriais, nas quais cada setor administrativo da UFCG entregará seus relatórios de gestão. A primeira rodada de reuniões já começou no dia 18 de fevereiro, envolvendo a Pró-Reitoria de Assuntos Comunitários (PRAC) e a Pró-Reitoria de Extensão (PROPEX). Uma nova reunião entre as equipes de transição já está prevista para o dia 21.

Uma Nova Esperança para a UFCG

O retorno do critério democrático para a escolha da gestão universitária é um marco para a UFCG. Nos últimos anos, a autonomia das universidades federais esteve ameaçada por nomeações que ignoravam a vontade da comunidade acadêmica. Agora, a posse de Camilo Farias representa não apenas a concretização de um projeto de desenvolvimento, mas também a reafirmação da UFCG como uma instituição plural, democrática e comprometida com o ensino público de qualidade.

A expectativa é que esse "dream team" trabalhe com determinação para enfrentar desafios e promover avanços significativos. Com um planejamento sólido e uma equipe preparada, a UFCG tem tudo para retomar seu crescimento e continuar sendo referência no ensino superior brasileiro.

A nova gestão assume oficialmente no dia 24 de fevereiro. Até lá, os olhos da comunidade acadêmica permanecem atentos e esperançosos pelo início dessa nova era na UFCG.

"A educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo."

(Paulo FREIRE, 1979, p.84)*

É Doutor (2008) em Geografia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), Campus de Presidente Prudente na área de concentração produção do espaço geográfico. É professor Associado IV da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) vinculado a Unidade Acadêmica de Geografia atuando na área de produção do espaço urbano e desenvolvimento regional. É líder do Grupo de Pesquisas Integradas em Desenvolvimento Socioterritorial (https://gidsufcg.com.br) e desenvolve pesquisas relacionadas a análise da violência urbana e produção social do espaço, centralidade urbana e Geografia do Turismo. É professor colaborador do Programa de Pós-graduação em História da UFCG atuando na Linha I: Cultura e Cidades. Entre 2013-2016 desenvolveu pesquisa financiada pelo CNPq, Programa Universal, tendo como tema a produção do espaço turístico. Desenvolve atualmente pesquisa financiada pelo CNPq sobre análise regional do turismo na região geográfica de Campina Grande. Fone para contato: 83 986447674 (Whatsapp)/ e-mail (xisto.serafim@professor.ufcg.edu.br

*FREIRE. Paulo. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. Tradução de Kátia de Mello e Silva. São Paulo: Cortez & Moraes, 1979.

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Trump, clima e guerra: o que pode influenciar no ajuste do Relógio do Juízo Final?

Relógio do Juízo Final em 90 segundos: Reunião decisiva desta terça-feira avalia se a humanidade está mais próxima da catástrofe global. Conflitos geopolíticos, crise climática e novas tensões políticas são o foco das discussões.

Prof. Dr. Xisto Souza Jr

Campina Grande, 28 de janeiro de 2025: Nesta terça-feira (28), o mundo estará atento a uma reunião que pode rever o ajuste do Relógio do Juízo Final, símbolo criado pelo Boletim dos Cientistas Atômicos em 1947 para medir o quão próximo a humanidade está de uma catástrofe global. Atualmente, o relógio marca 90 segundos para a meia-noite, o mais perto da destruição que já esteve. Essa decisão ocorre em um momento crítico, marcado por guerras, crises climáticas e tensões políticas globais intensificadas com a recente posse de Donald Trump e suas políticas controversas.

O Relógio do Juízo Final foi idealizado por cientistas renomados como Albert Einstein e J. Robert Oppenheimer para alertar a humanidade sobre os riscos nucleares. Desde então, passou a incluir também ameaças como mudanças climáticas e avanços tecnológicos descontrolados. Definido anualmente por especialistas e laureados com o Nobel, ele é mais do que um indicador simbólico — é um chamado à ação.

Em 2023, o relógio foi ajustado para 90 segundos devido à guerra na Ucrânia e à ameaça crescente do uso de armas nucleares. Agora, com a posse de Trump e sua postura política, novos riscos emergem, adicionando uma camada de incerteza à análise do Conselho de Ciência e Segurança.

O Papel de Trump e a Instabilidade Global

A administração Trump traz à tona preocupações significativas. Suas promessas de expandir os arsenais nucleares dos Estados Unidos e de adotar uma política externa mais agressiva já geram tensões com potências como China e Rússia. A retórica desafiadora em relação a países como o Irã e a Coreia do Norte também aumenta o risco de conflitos internacionais.

Além disso, Trump reduziu investimentos em iniciativas climáticas durante seu mandato anterior, enfraquecendo acordos globais cruciais, como o Acordo de Paris. Com ele de volta ao poder, teme-se que esses esforços sejam novamente minados, dificultando a luta contra as mudanças climáticas.


Em 2024, a Terra enfrentou seu ano mais quente já registrado. Desastres como inundações e incêndios florestais devastaram comunidades inteiras, evidenciando a necessidade urgente de ação climática. No entanto, esforços globais permanecem insuficientes. A queima de combustíveis fósseis continua alta, enquanto investimentos em energia limpa, embora recordes, ainda não compensam os danos causados pelas emissões.

A incapacidade de lidar com a crise climática coloca bilhões de vidas em risco e agrava a instabilidade geopolítica, já que escassez de recursos e desastres naturais intensificam conflitos.


O Risco Nuclear e Tecnologias Disruptivas

O cenário nuclear também é alarmante. Rússia, Estados Unidos e China estão engajados em uma corrida armamentista, enquanto acordos de controle de armas enfraquecem. A guerra na Ucrânia trouxe a ameaça de ataques nucleares para o centro das discussões globais, e o aumento das tensões em regiões como o Oriente Médio e a Ásia exacerba o perigo.

Além disso, os avanços rápidos em inteligência artificial e biotecnologia levantam preocupações sobre o uso malicioso dessas tecnologias. O desenvolvimento de armas autônomas letais e o risco de manipulação genética descontrolada são ameaças reais que requerem governança global urgente.


A Importância da Reunião

A reunião desta terça-feira será uma oportunidade para cientistas e especialistas discutirem esses riscos interconectados e decidirem se o Relógio do Juízo Final deve ser ajustado novamente. Este momento serve como um lembrete da responsabilidade coletiva de líderes e cidadãos para enfrentar essas ameaças com urgência e determinação.

Se o relógio avançar ainda mais, será um alerta claro de que a humanidade está se aproximando perigosamente da autodestruição. No entanto, há esperança: ações coordenadas e um compromisso renovado com a diplomacia, a sustentabilidade e a cooperação global podem reverter esse cenário.

O Relógio do Juízo Final não é apenas um símbolo; é um apelo à consciência global. Ele nos desafia a enfrentar nossos medos, priorizar o bem comum e adotar medidas que garantam a sobrevivência e o bem-estar de todos. A reunião desta terça-feira é um momento crucial para refletir sobre o futuro que queremos construir — um futuro que depende de nossas escolhas hoje.

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De volta à Casa Branca: O que está em jogo para a democracia global com o retorno de Trump?

Com Donald Trump de volta à presidência, a democracia americana enfrenta novos testes, enquanto o mundo observa os impactos de uma liderança polarizadora e populista. As consequências de seu retorno podem redefinir o equilíbrio global entre democracia e autoritarismo.

Prof. Dr. Xisto Serafim de Santana de Souza Jr

Donald Trump voltou à Casa Branca. Seu retorno como presidente dos Estados Unidos reacende discussões sobre o futuro da democracia americana e as implicações globais de uma liderança que promete transformar – e polarizar – o cenário político. Mais do que nunca, o mundo observa as consequências de sua volta ao poder.

Com Trump de volta à presidência, as instituições democráticas enfrentam novos testes de resistência. Durante seu primeiro mandato, vimos ataques frequentes à imprensa, questionamentos ao sistema eleitoral e tensões com o Congresso. Agora, com uma base de apoio ainda mais radicalizada e a maioria na Suprema Corte, os riscos de enfraquecimento institucional são palpáveis.

O discurso polarizador e a deslegitimação de opositores não são apenas estratégias políticas; são ferramentas que ameaçam o equilíbrio democrático. O segundo mandato de Trump traz a preocupação de que a democracia americana, outrora vista como um modelo global, se torne um campo de experimentos autoritários.

Uma das bandeiras centrais do governo Trump é a deportação em massa de migrantes. A promessa de remover 11 milhões de pessoas não apenas desafia a lógica econômica, mas também expõe o custo humano e social dessa política. O preço estimado de 600 bilhões de dólares é apenas a ponta do iceberg; setores inteiros da economia, como agricultura, construção e tecnologia, dependem de mão de obra migrante.

Mesmo figuras como Elon Musk alertaram para a necessidade de exceções para trabalhadores qualificados. A deportação em massa, se implementada, poderia gerar uma crise econômica sem precedentes, ao mesmo tempo, em que enfrentaria resistência jurídica e social. Será que os Estados Unidos estão prontos para arcar com esse custo?


Populismo em Ascensão: Impacto Global e as expectativas para o Brasil

A reeleição de Trump reforça o populismo de extrema-direita, que tem ganhado força em várias partes do mundo. Sua liderança simboliza um movimento global que prioriza o nacionalismo, enfraquece organismos multilaterais e promove divisões internas.

O discurso de "América Primeiro" volta a dominar o cenário internacional, criando tensões com aliados e minando a cooperação global em questões como mudanças climáticas, segurança internacional e direitos humanos. A influência de Trump é um sinal de alerta para democracias ao redor do mundo, que enfrentam desafios crescentes diante do avanço de líderes populistas.

A volta de Trump ao poder tem implicações diretas para o Brasil. O protecionismo americano pode dificultar o acesso de produtos brasileiros ao mercado dos EUA, especialmente no agronegócio. Por outro lado, a proximidade ideológica entre Trump e lideranças conservadoras brasileiras pode reforçar parcerias políticas, embora os benefícios econômicos sejam incertos.

Além disso, as mudanças na política ambiental e comercial dos EUA podem gerar pressões sobre o Brasil, especialmente no que diz respeito ao desmatamento da Amazônia e à proteção de mercados estratégicos.

Com Trump novamente na presidência, o mundo observa os Estados Unidos como laboratório para os desafios que outras democracias podem enfrentar. As promessas e políticas de seu governo são audaciosas, mas também carregadas de riscos.

A pergunta que fica é: até que ponto as instituições democráticas americanas – e as do mundo – estão preparadas para resistir aos impactos de uma liderança populista?

O segundo mandato de Trump não é apenas sobre os Estados Unidos. É sobre o equilíbrio entre democracia e autoritarismo em uma era de incertezas globais.

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